Um Natal de sobreviventes

Somos todos sobreviventes!

​A expectativa era que 2020 fosse um ano par, literalmente, não foi! Ao oposto, esse foi um ano ímpar. Podemos afirmar com todas as letras que 2020 não encontra precedentes para a nossa geração. Estamos experimentando um dos mais assustadores episódios da civilização humana. Tanto é que nunca se consumiu tanto ansiolítico e ante depressivos, mas estamos cruzando a linha de chegada de mais um ano, talvez o mais complexo de todos os tempos.

A vida antes da pandemia não conhecia limites. Mal parávamos para recuperar o fôlego, desde o primeiro minuto após despertar. Mas abruptamente fomos forçados a ficar em casa, reclusos e isolados, e sendo obrigados a nos reinventar. Fomos tomados por uma onda de pânico, que nos empurrou a consumir o tempo, agora disponível, de forma insana. Era quase um pecado não fazer nada. 

Aos poucos fomos nos dando conta que havia uma vida que seguia, apesar do obsessivo desejo de continuar a viver como antes. Em paralelo, descobrimos que existem coisas aparentemente simples, mas que tem valor singular em nossas vidas. Creio que isso tem um pouco a ver com a tendência humana de valorizar mais as coisas quando as perdemos; talvez o melhor exemplo disso seja a liberdade.

Dentre as esquisitices do ano, a máscara facial se tornou item obrigatório em nosso figurino. Aprendemos a enxergar as pessoas nos olhos vistos e a ver o sorriso oculto através das sobrancelhas. 

Datas importantes e aniversários passaram sem comemoração, ao menos no formato tradicional. Nos acostumamos com a ideia de abraçar à distância e de cumprimentar com os cotovelos ou a ponta dos pés. Até o Papai Noel teve que se adaptar à nova realidade, oferecendo colinho virtual para as crianças. Mas, não perdemos a nossa essência de sonhar e buscar maneiras de encurtar a distância.

Somos conscientes de nossa finitude, talvez por isso, sempre estamos buscando formas de burlar o tempo e encurtar caminhos. Este ano nos deixou claro que não temos esse poder. Nos tornamos solitários, medrosos e desconfiados e percebemos a nossa fragilidade e, principalmente, a efemeridade da vida.

Um mundo em necessidade é o mundo em que vivemos agora. Se a pandemia pegou a todos desprevenidos e nos paralisou este ano, também escancarou a importância de valorizar e zelar pela nossa saúde e estar vigilante sobre nossas ações cotidianas à luz de como isso pode causar uma reação em cadeia e afetar positivamente aqueles ao nosso redor. As pessoas escolheram viver suas vidas de maneira diferente nos últimos meses, e acho que isso continuará por algum tempo. 

Lenta e seguramente, todos sairão de casa, e antes que percebamos, viveremos uma vida “normal”, e traremos conosco os ensinamentos da época em que o mundo parou. Que pequenos atos de gentileza para com os outros trazem muito mais alegria do que qualquer presente material. Que nenhuma quantia em dinheiro pode comprar uma boa saúde, um bem inestimável. Que os verdadeiros amigos são poucos e que a família é o bem mais precioso que possuímos.

Nada acontece por acaso. Muita coisa precisava mudar, e muito ainda está por mudar. O mundo está em processo de cura, assim como corações partidos, mentes doentes, ódio e pessimismo, mas estou confiante que o ser humano tem uma capacidade fabulosa de se reconstruir. Somos seres extraordinários, com enorme capacidade de adaptação, mas por vezes somos muito exigentes, e nos cobramos demais. Há que se lembrar que a vida é bastante curta, mas que nos reserva muitas surpresas; com serenidade e sabedoria podemos fazer boas escolhas, que fatalmente nos levarão ao desfrute. Cada dia de paz e tranquilidade é realmente muito precioso. Portanto, vamos valorizar mais o nosso tempo juntos agora e no futuro, mesmo que seja por um lapso.

Por tudo isso, acho que nós os sobreviventes merecemos um ano novo!

Feliz Natal, e que venha o Novo Ano, com toda a sua magia de sonhos e expectativas. ​

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