Os contraditórios da vida

Quando você é adolescente parece que tudo e todos o incomodam, principalmente “sua mãe”, aquela que se mete em tudo, aquela que não lhe dá espaço, aquela que te acorda pelas manhãs, dizendo: levanta, vai perder a hora, traz, guarda, arruma, cuidado…

Basta você dizer que vai a algum lugar, pronto já começam as perguntas. Com quem você vai? O que vai fazer? A que horas vota? Cuidado, veja o que você faz! Não faça nada de errado, você sabe bem o que pode e o que não deve fazer. E você sempre responde está bem mãe, mas pensando: não me enche o saco, eu sei o que faço.

Quando você está saindo, quase cruzando a porta, ela diz: você não vai me dar um beijo? Você volta com relutância, dá um beijo insosso e diz! Estou atrasado! Fecha a porta e sai reclamando, e ao longe em pensamento ela diz: vá com Deus e fique bem meu filho! Eu te amo!

E tudo que você pensa é: quero sair de casa, assim ninguém mais me enche o saco e eu faço o que eu quero!!

Com o passar dos anos você sai de casa para estudar, trabalhar ou para morar sozinho. Nos primeiros dias você pensa: que maravilha; isso é tudo o que eu queria. Com o passar do tempo a vida vai impondo algumas dificuldades e você tem que se virar para superá-las, sem os olhos sua mãe. As marcas vão ficando, os amigos vão minguando, e a realidade se impõe nua e cruel.

Mas, a sua mãe continua presente e solidária, mesmo que seja a distância. Todas as manhãs a primeira mensagem que chega no seu celular é da sua mãe.  As vezes ela liga, mas você não tem muito tempo para conversar. Promete ligar e não liga. Ela não se importa, te liga de novo, de novo e de novo… e você sempre indisponível para ela. No fundo você continua pensando, essas mensagens e ligações me enchem o saco!

Você, um egoísta convicto, pensa que é auto suficiente, no entanto, na primeira dor de barriga procura a barra da saia da sua mãe. O amor incondicional dela passa por cima do seu mau humor, irreverência e indiferença. Incansável, seja qual for a situação, lá está ela fazendo tudo por você. Ela é quem mais te conhece, com um simples olhar sabe o que está acontecendo contigo.

Mas, um dia a vida te mostra o seu lado mais sombrio, então você acorda todos os dias implorando por uma mensagem perguntando como vai? O que faz? Ou simplesmente ouvir aquela voz que te incomodava dizendo: levanta, pega, arruma. Aquela que sempre cuidou e recomendou para você se cuidar, que sempre se preocupou e não pregava os olhos antes de você chegar, que apesar de conhecer seus medos e fraquezas, nunca as evidenciava, ao contrário encontrava formas de te ajudar a superá-las.

Agora você já não tem aquele rosto marcado para beijar – mesmo que a contragosto, a palavra de conforto, o colo, a mão quente e a voz branda. O que resta agora são as lembranças, mas você sabe que esse vácuo jamais será preenchido.

Mas a vida é assim, um contraditório constante entre o certo e o errado, dúvidas e convicções, amor e indiferença. Tudo tem o seu tempo e sempre será possível abrir os olhos e o coração permitindo que você seja consequente consigo mesmo.

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