Pele Alva e Pele Alvo

Éramos todos seres humanos vivendo em harmonia, até que a fronteira imaginária do território nos separou, a raça nos segregou, a religião e a política nos dividiu e o dinheiro nos classificou.

Desde então a desigualdade não parou de crescer, criando uma sociedade imoral e injusta, onde o direito à vida é decidido em base a cor da pele. Pode parecer insano, mas aqueles que não tem a pele alva, são alvo de todo tipo de injúria e violência!

Parece justo que um jovem preto, tenha que sair de casa portando o recibo de compra de seu celular? Pois esta é uma situação muito recorrente no país, onde um preto é “sempre” suspeito de malfeitos e precisa ser monitorado e abordado sem constrangimento por olhos brancos vigilantes.

O Brasil carrega o estigma do racismo por ter sido o último pais a acabar com a escravidão, mas que na prática nunca deixou de existir. Temos que admitir que existe um comportamento racista igualmente estreito, que persiste em nossa sociedade, apesar de que todo brasileiro se defina como antirracista, embalado por um discurso contestatório do politicamente correto.

Embora o racismo tenha sido classificado como crime no Brasil, violações de toda natureza, contra pretos, ocorrem a todo instante em todos os lugares. Racismo não deveria ser apenas crime, mas classificado também como uma doença que precisa de tratamento psíquico.

O racismo é uma ideologia que sustenta a desigualdade de forma perversa. Deixando claro que não me refiro a ofensas, que por nada são justificáveis, mas em atos e atitudes que segregam aqueles que não tem a pele branca, classificando-os como uma segunda classe de gente, que em tese, têm menos direitos do que os de pele alva.

A justiça dos homens é branca, e caminha pelas frestas e ambiguidades das relações em uma sociedade hipócrita que não mudou muito o modo como o racismo no Brasil é velado. Já a justiça divina é cristalina. A nossa alma não tem cor, assim como o sangue que corre nas veias de um branco não é mais vermelho do que o de um preto.

Sim, há racismo no Brasil, e essa chaga vergonhosa não fechará de um dia para outro. O primeiro passo é admitir que há um racismo estrutural sedimentado em nossa sociedade, para então lutar pela supressão dos grilhões que continuam acorrentando os pretos no Brasil, mas isso jamais acontecerá sem o engajamento de todos, independentemente da cor da pele.

Se quisermos desmontar as estruturas da desigualdade será necessário desmantelar as estruturas de poder, opressão, dominação e preconceito, e honestamente reconstruí-las com uma visão mais igualitária e livre de preconceitos.

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