O mercado da “Fome”

Inicio este texto deixando claro que não tenho nenhum viés político, até porque a fome não tem partido.

Desde que me conheço por gente escuto sobre a miséria no Brasil. Mas, nos últimos tempos, a quantidade de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar disparou. O Brasil se tornou um país rico de um povo miserável!

Existem quase 20 milhões de pessoas passando fome no Brasil, escancarando uma desigualdade social e econômica que não para de crescer. É inaceitável e imoral ser um dos principais produtores mundiais de grãos, ter um boi no pasto para cada brasileiro, estar entre os primeiros em produção de carne de aves e suínos, e ver pessoas fuçando no lixo para encontrar restos de comida.

Diante deste quadro, fica muito claro que o problema do Brasil não é falta de comida, mas uma desigualdade social absurda, mesquinha e injusta. Já passou da hora de colocar em prática medidas consistentes para reduzir a desigualdade, e permitir que “todos” os brasileiros possam, ao menos, se alimentar dignamente. Isso deveria ser uma bandeira que todo brasileiro deveria empunhar e fazer o que lhe cabe.

Não podemos assistir passivamente o desespero de milhões de pessoas que não conseguem comer todos os dias, e considerar isso normal. Não podemos concordar com o oportunismo de gente miserável de espírito e alma, que criou o mercado da fome, cobrando por algo usualmente descartado, como ossos de boi que passaram a ser vendidos. Por mais absurdo que possa parecer, alguns frigoríficos do Ceará estão vendendo ossos “de primeira” e “de segunda”. Além de imoral isso é desumano.

É muito triste constatar que, ao mesmo tempo em que a fome cresce, pouco se discute quais as razões para o país ter chegado a essa situação. O primeiro passo é honestamente reconhecer que o problema existe, para então discutir alternativas para fechar essa chaga. 

A solução definitiva só virá com a redução da desigualdade social, o que vai requerer décadas, mas a fome não pode esperar, exigindo ações concretas e imediatas. Urge resolver o problema da fome, mas, ao mesmo tempo, iniciar ações para paulatinamente reduzir a desigualdade social e permitir que todos possam viver de maneira digna.

Claro que tudo isso passa por estabelecer políticas públicas consistentes em linha com as prioridades sociais, e isso requer o engajamento profundo da sociedade com muita responsabilidade e senso de urgência, ou seja, cada brasileiro, rico ou pobre, tem a sua parcela de responsabilidade.

Acredite, você tem o poder para mudar isso!

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