Sou cringe com muito orgulho

Cringe, para quem não sabe, é um termo do inglês americano que pode ser traduzido como vergonha alheia ou estranheza, que adaptado ao português brasileiro seria o que está fora de moda, brega, entre outros adjetivos pejorativos, que vem sendo usados, em larga escala, nas redes sociais, especialmente pela geração Z. Creio haver uma falha no entendimento do que significa cringe no inglês, por estes jovens, no entanto, o meu objetivo não é discutir o termo em sua essência, mas o comportamento do jovem, em especial do jovem brasileiro, no que tange ao desprezo por aqueles que pensam diferente deles.

A geração Z, também conhecida como “nativos digitais”, está usando a palavra cringe para classificar os comportamentos considerados desconfortáveis ​​ou desatualizados, comparados aos seus, especialmente aqueles vindos da geração do milênio. A palavra passou a ser usada como uma expressão de escárnio piedoso e vazio para pensamentos, ações ou crenças de outra pessoa que esteja fora do que normatizaram como o correto. Esses jovens inseguros, deprimidos e sem propósito definiram que os nascidos antes deles tem pensamento fora do contexto do novo mundo, que eles sequer sabem definir o que seja.

Não ser Cringe, é ser popular nas redes sociais, sem saber escrever; é ter 18 anos e agir como se tivesse 10; é ter opinião sobre tudo sem saber nada por que nunca leu um livro; é pagar de sustentável e tomar banho de 2 horas; é mostrar um discurso em defesa dos recursos humanos nas redes sociais, mas não respeitar sequer a opinião dos próprios pais; é se mostrar politicamente correto e não arrumar a própria cama; é postar vídeos rebolando no TikTok e beber litros de cerveja, desde que não seja de litrão. Isso não é não ser cringe, mas um idiota irresponsável.

Talvez o responsável por isso seja o jovem idiota que agora é pai do idiota jovem, e que pensa que pode definir o futuro dos filhos a partir de projetos pessoais. A primeira coisa que faz é entregar um smartphone na mão do filho de 6 meses, talvez menos por querer um filho brilhante e mais desejar não ser incomodado.

Me orgulho da minha geração, pois nada que conquistamos veio fácil, ao contrário, tudo que conquistamos foi com muito esforço e dedicação. Começamos a trabalhar muito cedo e antes dos 18 anos já assumia as nossas despesas. Estudamos muito porque tínhamos a consciência de que o nosso futuro dependia dos estudos. Fomos educados conhecendo e respeitando os limites individuais e coletivos. Ah e somente para constar, fomos nós que inventamos boa parte da tecnologia que está na mão dos que se autodefinem como not-cringes.

Mas talvez o mais importante seja que fomos educados em base ao respeito, não somente aos nossos pais, mas a todos os semelhantes. Fomos criados para ser independentes, não somente economicamente, mas também para ter opinião sobre os temas relevantes.

Se te incomoda ser taxado de cringe, existem sites onde você poderá testar o quão cringe você é, respondendo algumas perguntas idiotas, como que você faz ao despertar, ou como penteia o cabelo. Como se isso fosse essencial para definir a personalidade de alguém.

Imagino o que vem pela frente quando esse jovem “not-cringe” sair da universidade psicólogo, e como diagnosticará os seus contemporâneos retardados.

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