Uma pequena reflexão sobre a fome

A desigualdade social no Brasil é resultado de décadas de descaso e falta de ações concretas que permitam a sua redução. Com a chegada da pandemia, o caos se instalou, a pobreza ampliou, e o fosso social que era enorme passou a ser ainda maior, em especial, para a camada mais pobre da população.

Conhecendo um pouco mais da realidade das comunidades carentes, em especial as de São Paulo, noto que todas têm as mesmas características. Esses lugares não oferecem o mínimo, que permita viver com dignidade. Falta saneamento, segurança, escolas, saúde básica, mas acima de tudo falta comida na mesa!

Existe muita controvérsia nos diversos níveis do poder público, em relação às políticas de atendimento a esse povo. Em paralelo, a iniciativa privada e ONGs também disputam espaço político entre a fome e a miséria, que impera em todos esses extremos da cidade, envolvendo milhares de pessoas. Pasme, mas essas pessoas são exploradas de alguma forma por ambos os lados.

Existe muito conflito em meio a um poço bem profundo de problemas, controvérsias, sofrimento, e claro muito oportunismo. Salve se quem puder, e nessa, obviamente, os pobres sempre levam a pior.

Alimentar-se é uma necessidade básica para todos os seres vivos, em especial o homem, portanto, entregar comida para quem está com fome, permite enxergar a essência da pessoa humana. Muitos agradecem com um olhar um gesto, uma palavra, mas alguns não te olham nos olhos, talvez por sentir-se humilhados e desejosos de nunca mais ter que comer.

Quando decidi criar campanhas para arrecadação de alimentos, o meu objetivo era exclusivamente o de oferecer algum tipo de conforto alimentar para algumas famílias, e o meu propósito se mantém igualmente firme. Sei que esse é um grão de areia frente a tamanha necessidade, mas, como não posso fazer por todos, faço para alguns. Se todos pensassem assim, a fome teria sido erradicada em nosso país.

Francamente tenho experimentado um misto de sensações, entre tristeza e revolta ao ver o sofrimento das pessoas que não têm o que comer. Nesses momentos elevo o meu pensamento a Deus e sigo em frente, afinal as pessoas não estão passando fome porque querem.

Percebo um certo cansaço nas mobilizações solidárias, mas não vou esmorecer. Tenho que continuar lutando por esses desvalidos, para que, ao menos alguns, tenham o que comer. Oxalá possamos ter uma sociedade mais justa, onde “todos” tenham, não somente o direito, mas que possam se alimentar dignamente.

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