Enfim veio a chuva!

Era madrugada quando a chuva caiu sem alarde, branda e silenciosa. Veio para molhar, ressuscitar, fazer reviver, depois de um longo período de estiagem e sofrimento. A natureza festejou ao som da chuva que parecia entoar uma alegre canção de celebração à vida. De manhã, a louca passarada, com alegria, festejou a chegada da chuva que lavou a poeira e, como magia, fez o verde reluzir.

Durante o longo período de estiagem as manhãs chegavam avermelhadas de esperança e as tardes fechavam a noite de maneira bucólica, triste e escura. As noites eram frias a espera da chuva que não vinha. Os dias passavam e a angustia aumentava porque a chuva não chegava.

Mas o alivio chegou nesta madrugada. O solo seco sorveu os primeiros grossos pingos da chuva e deixou exalar o forte odor de terra molhada, e calou a sinfonia de grilos. Por várias horas a chuva lavou telhados, regou as plantas e encheu os rios. Velas foram acesas para pagar promessas pela bênção da chuva.

A chuva fez calar o barulho da criançada na rua e o latido dos cães. Parece que todos permaneceram em silencio ouvindo unicamente o ruído dos pingos caindo nos telhados das casas. O dia demorou mais a amanhecer, tudo parecia caminhar mais lentamente na chuvosa manhã, após a longa estiagem.

Talvez porque meus ouvidos estivessem destreinados, talvez porque a expectativa era enorme, mas quando ouvi o ruído da chuva, me enchi de alegria e levantei-me da cama para assistir o maravilhoso espetáculo da água escorrendo na rua. Agradeci a Deus e voltei para a cama. Antes de dormir novamente pensei: como é bom ouvir o som da chuva lá fora no conforto de uma cama aquecida.

Mais do que servir de inspiração para os poetas a chuva é algo absolutamente necessário para todo tipo de vida na terra. Pena que o homem, cujos limites da ignorância não permite ver além do seu automóvel estacionado na garagem, continua cegamente degradando a natureza. A agenda aflita do executivo que não tem espaço para ver a vida com a simplicidade do ninho do passarinho na goiabeira do quintal, não permite olhar para o céu e ver as estrelas, a roseira em flores ou sentir o perfume do manjericão fresco.

Tudo isso só pode existir se houver água.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.